Através da Internet, a pele artificial que reveste o nosso globo, e, sobretudo através dos seus poros, as omnipresentes redes de comunicação, criou-se a noção de que estas células, generosas à escala local mas pequenas à escala mundial, faziam parte de uma organização de protesto maior. Assim surge a ideia de Occupy World e com ela toda uma outra vaga de pequenas novas células determinadas a dar o seu contributo para o crescimento do organismo de protesto global. Eis o Occupy Porto, Occupy Lisboa, etc.
 
Os media generalistas mascaram esta relação entre protestos e designam-nas de forma segmentada. No nosso caso específico, tornam-se “manifestações de indignados”. Claramente que as mesmas tratam de pessoas indignadas que se manifestam, mas, se o DNA do movimento também passa por aí, não é essa a sua definição científica.
 
À medida que mais pessoas se juntam às manifestações e mais pessoas ganham consciência das mesmas, mais distorções, evoluções e mudanças de perspectiva acontecem. Mal os registos do que se passa no terreno chegam à internet, vários memes surgem à sua volta. O popular Occupy Sesame Street é um exemplo do poder de recontextualização instantâneo da Internet.
 
Acredito que foi com esta consciência que Evan Roth, um dos activistas máximos do F.A.T. (Free Art & Technology) Lab, uma organização que se dedica ao enriquecimento do domínio público através da pesquisa e desenvolvimento nos campos das tecnológicas criativas, começou a pedir, no passado dia 12 de Outubro, gifs animados para construir um exército de protestantes virtuais com a intenção de iniciar o protesto Occupy The Internet. Rapidamente emergiram contribuições baseadas nas suas premissas e assim uma maré de personagens da cultura internetesca*, empunhando cartazes com mensagens de indignação e protesto, ficou à espera da sua hora de sair à rua… ou para aqueles leitores com um particular interesse pela cultura vintage, à “auto-estrada da informação” (onde esperamos, não sejam atropelados).
 

 
Agora, as cancelas foram abertas e estes soldados rasos foram libertos. Caso tenham acesso aos ficheiros index.html de sites que queiram que sirvam como pátio para o movimento Occupy The Internet, encontram-se instruções detalhadas sobre como aderir à manifestação aqui. No mesmo endereço podem também consultar a lista de sites onde, de momento, já se desenvolvem protestos.
 
Duas questões afiguram-se. A primeira, até que ponto é que acções como esta não demonstram que a Internet é já encarada não como um meio, mas sim como um espaço, com algumas características mais próximas de um local físico do que de um local virtual?
 
A segunda, existirão diferenças assinaláveis, mediante uma análise comparativa, na amplitude e direcção das mensagens envergadas pelos protestantes reais e pelos protestantes gif? E ainda como desafio bónus, como encarar os protestantes gif? Como tradução dos indignados de sofá ou como algo completamente diferente?
 
Tenho toda a curiosidade em saber qual a vossa opinião sobre estes pontos e convido-vos a deixá-la na secção de comentários.
 
*aproveito para sublinhar que passarei a usar este termo para me referir à “cultura pop” dentro do submundo da internet