Esta ferramenta possibilita conhecer a interacção entre os biliões de páginas que correm na web, e os consumidores que diariamente as visitam, os conteúdos desta página deixam de ser anónimos, e passam a ser indexados através da categorização. Esta categorização centralizada e reportada ao Facebook, permite do ponto de vista individual dar a conhecer os interesses pessoais de forma mais imediata; do ponto de vista colectivo, mostra tendências tendo por base este conhecimento espalhado pelas páginas que integram o serviço.
 
Celebridades, vídeos e musicas são exemplos triviais do que pode ser partilhado, passando os dados a ser armazenados com mecânicas mais inteligentes e sistematizadas que agrupam e filtram a informação com base no que realmente representam. Uma torradeira passa a diferir da Madonna que por sua vez também passa a ser diferente do título de um livro. Palavras passam a ser mais que palavras, passam a representar aquilo que são na realidade. A construção de dicionários semânticos permite ainda saber que as torradeiras estão integradas no processo de alimentação e que os livros são objecto de leitura. Esta desconstrução dos objectos e das acções torna o conhecimento muito mais fluído e abrangente fazendo da anarquia de conteúdos actual da web um mapa de conhecimento organizado.
 
Mais necessário e mais fácil
 
Ao utilizar as meta tags do Facebook num site, este passa a equivaler a uma página da rede social; quando um utilizador de uma destas páginas faz “Gostar” desta página, a conta de facebook associada ganha um canal de comunicação com este utilizador. Este protocolo define ainda mecânicas simples de envio de conteúdo para a sua timeline e, desta forma, reduzem-se as dificuldades até aqui presentes na integração de uma ‘marca’ no Facebook. Reforça-se ainda mais a sua presença nas redes sociais. Qualquer empresa que tenha um site hoje, com a ajuda de alguém que consiga ler e executar um tutorial, com acesso ao código fonte do site, poderá estar amanhã preparado para utilizar o Facebook como ferramenta de marketing.
 
As Meta Tags
 
Já existia o conceito de transmissão de informação através de meta tags especiais do site, agora o Facebook aprimorou o processo, e apostou em três conjuntos de meta tags muito interessantes. Tem um bloco de georeferenciação, para fazer a colocação do conteúdo em cima do mapa mundo, tem um bloco de contactos que permite a quem divulga um serviço entregar dados sobre como contactar o serviço através de meios mais convencionais (telefone / email / fax). O último conjunto diz respeito ao conteúdo, permite dar nome e descrição, anexar vídeo e audio de forma estruturada, e tem um meta tag a que dão o nome de “type” que se adivinha responsável pela maior disrupção que o Facebook vai implementar nos próximos tempos. Com uma tag que informa o tipo de conteúdo, o Facebook passa a ser a primeira empresa na internet a criar conteúdo inteligente de forma massiva.
 
Analisando o conjunto de informação transicionada pelas meta tags, facilmente nos apercebemos que em relação a qualquer página da internet, o Facebook passa a conhecer:
 
- Sobre o “Que” fala essa página (type)
- “Onde” é que este conteúdo foi criado / diz respeito.
- “Quando” é que este conteúdo foi pela primeira vez partilhado, quando e com que frequência voltou a acontecer.
- “Como” é que este conteúdo é mostrado, o texto descrito na tag description e imagens que enriquecem o conteúdo.
- “Quem” viu, gostou, ou se relacionou de qualquer outra maneira com o conteúdo.
 
Com estes cinco vectores de informação relacionados é construída uma visão universal sobre a informação estática e dinâmica da internet. A internet passa de um cemitério de dados para uma estrutura de informação à qual podemos fazer perguntas objectivas e sobre a qual se podem definir métricas para melhor medir um sem número de indicadores.
 
Com certeza estará nos planos do Facebook, criar uma estrutura conceptual nos ‘types’, e há indícios disso mesmo na divisão em “namespaces” que é aconselhada a quem quiser usar ‘types’ próprias. Esta estrutura, trocando por míudos, ontologia, potencia a criação de novo conhecimento com base em conhecimento já adquirido. Esta meta informação terá um crescimento exponencial por si. Desta forma, temos pela primeira vez uma web organizada e um perfil mais detalhado e rigoroso do indivíduo, da comunidade e do mundo em geral.
 
Do ponto de vista funcional, estas tags “type”, depois de criadas e associadas a um conteúdo, podem ser modificadas, mas quem partilhou um conteúdo de uma página com uma ‘type’ específica, não verá qualquer mudança de informação na sua timeline.
 
O título do conteúdo partilhado na timeline de cada um só será actualizado quando essa mesma página for “Gostada” por 50 pessoas. O tipo de conteúdo “type” só mudará na timeline, depois de 10.000 pessoas “Gostarem” da página. Desta forma, o Facebook garante uma maior coerência e consistência no conhecimento que gera acerca dos seus utilizadores e informação consumida. O foco no “type” como elemento mais imutável transparece a intenção de criar conteúdo bastante estável.
 
E agora?
 
A partir desta poderosa ferramenta, com um inofensivo like num qualquer site da internet, os utilizadores estão a entregar ao Facebook informação sobre os seus gostos e interesses com um nível de reconhecimento mecânico nunca visto, sem necessidade de interpretação humana.
 
Este é o primeiro capítulo de um ‘master plan’ de informação em formato Graph que certamente agitará a vida social de cada um na web. Se o nível for mantido nas outras frentes de ataque do Social Graph, estou certo de que o Facebook terá encontrado o caminho para a ferramenta de socialização perfeita – diga-se o maior banco de dados inteligentes do mundo.
 
Com 800.000.000 utilizadores, fácil será imaginar a velocidade com que esta nova base de conhecimento será criada, validada e consolidada. E o ponto chave de toda a questão é que o Facebook o vai fazer, não através de uma qualquer ciência espacial que apenas engenheiros avançados dominam, mas antes por ter já o público pronto para pensar, escrever e partilhar, de boa vontade, toda essa informação.
 
Para tirar partido do social graph protocol no seu site, siga o tutorial aqui.