Devaneio Digital – O Caminho das Redes
O tema do momento, e dos próximos tempos, não é tão só saber e dissecar o que fazem os 4 actuais Cavaleiros da Internet, a saber: Apple, Google, Amazon e Facebook, mas o que as suas acções, e as nossas em resposta, representam para o nosso bem estar.
E para o ‘bem estar’, stricto sensu, parecem estar a contribuir todos eles. Para o nosso e para o deles! As novidades surgem como cogumelos, as comunidades de fãs e clientes arrastam-se em delírio ou tão só em criticas desajeitas nas ferramentas que desdenham.
Mas a grande e mais actual questão prende-se com o futuro, para onde caminhamos, por onde, como e com quem. Porquê, para quê e será é inevitável?
Começando pelo fim … parece inevitável. Todos caminhamos para o que todos parecem tanto temer e vertiginosamente avançam, para o Big Brother, para o individuo identificado. É certo e sabido que tudo que tenha a ver com desenvolvimento tecnológico, com dados e servidores, terá a ver com guardar, organizar e disponibilizar informação. Ninguém acredita, e entende, que o que disponibiliza online não serve apenas o momento nem o fim imediato. Será agregado e etiquetado. Será catalogado e servirá como catalogador. Porque é do nosso interesse, porque é assim que tem que funcionar, porque é assim que, nós próprios, juntamos as peças.
E todos, principalmente, aqueles que nos permitem fazê-lo ou aceder-lhe jogam neste tabuleiro. Todos tentarão organizar, sistematizar, baralhar e dar-nos os dados, que nós produzimos e queremos guardados para utilização futura. Nossa e deles.
Em que mais nos poderá ajudar qualquer um destes 4 Cavaleiros, ou qualquer outro player com pretensões, que não necessite de saber mais do seu cliente, que não tenha a resposta na ponta da língua para as necessidades que reclamamos? Como poderá um serviço ser rápido e dedicado, à medida de como o queremos usar, se não souber quem somos ou o que queremos, o que usamos e o que dizemos?
A Apple com os seus gadgets de última geração conhece-nos por uma identidade na sua loja, sabe o que utilizamos e onde andamos. A Google reconhece-nos por um endereço de email, ofereceu-nos quase tudo ilimitado em troca das nossas palavras-chave para direccionar publicidade e avança agora para um sistema operativo universal. A Amazon está apostada em saber tudo o que consumimos, o que compramos, o que lemos, o que ouvimos, e de preferência vender-nos o que sabe querermos … o browser que apresentaram ontem para o seu KindlePad (aquela cena do Fire é um bocado fatela) é promissor nessa tarefa. O Facebook conhece os nossos amigos e o mais intimo das nossas relações e gostos que temos partilhado com eles, é o nosso próprio álbum de memórias, e vai agora arranjar modos de dizermos, contarmos e opinarmos ainda mais sobre os nossos gostos e acções, o desafio é se o vamos fazer em ‘sua casa’.
Na verdade, respondem a anseios nossos. Cada lançamento é uma festa, um grande negócio, uma data de vantagens para nós e um passo na nossa linha evolucionária. À frente dos nossos olhos, debaixo do nosso teclado. Vão-nos oferecendo ferramentas e construindo um conhecimento sobre nós sem igual. Não à bela sem senão. Mas, onde é que acaba a bela? para onde vai o senão?
O futuro é comunitário. Já não voltaremos às grutas e cada vez mais a transparência será translúcida (!). A informação será partilhada, usada em diferentes formas, modelos e fins, mas tende a ser coerente. Tende a ter um aglutinador comum que lhe dá sentido e esse será cada um de nós, que se vê e se mostra nesse conjunto recolhido e organizado de acções mais ou menos soltas ou ponderadas ao longo do tempo.
O Homem de ‘1984’ vivia sob o espectro das ditaduras acabadas de acabar. O seu ‘grande irmão’ era traiçoeiro e autoritário. Tudo mais que soubesse podia usa-lo em beneficio próprio. Mas estamos num novo século, com mais meio dele de distância do auge negro do anterior. O Homem de hoje caminha para outra postura. O de amanhã, e refiro-me fortemente aos nossos filhos, será muito melhor, mais solidário e colaborativo. Até porque a grande lição dos tempos passados pode ser o de como a ganância de tão poucos resultou na apatia de tantos.
Se o Big Brother para que inevitavelmente caminhamos nesta rede de ligações formos todos não acho que nos devamos assustar … a não ser que acreditemos que podemos ser bem piores sabendo mais. Haverá os que acreditam que a era dos porcos ainda pode vencer, mas esses ficarão, rosnando, defendendo um só líder, à espera do Apocalipse.

Créditos da imagem de topo: THX | George Lucas






